O que é preconceito?
- Joseb S. Roque

- 18 de nov. de 2025
- 3 min de leitura

Essa é uma pergunta que precisa ser feita mais vezes e melhor respondida. O preconceito é estudado sob diferentes perspectivas, cada uma oferecendo sua própria explicação. Contudo, neste texto, irei me ater à linha da psicologia social psicológica. Diferentemente da social sociológica, essa abordagem não vê o preconceito apenas como algo presente na classe dominante, mas também na classe dominada, ou seja, nas minorias.
Quanto ao que é preconceito, uma das definições mais claras e de fácil compreensão afirma que se trata de atos ou comportamentos negativos imputados a indivíduos ou grupos, baseando-se em um julgamento antecipado que é sustentado mesmo diante de provas que o contraponha. Isto é, uma concepção antecipada que leva a estigmatização.
O preconceito é tão antigo quanto a os humanos e, devido a isso, de difícil eliminação. Com essa afirmação, é possível perceber o quanto o preconceito está atrelado a nós desde o início da história humana. A base do preconceito está nas crenças que nos levam a atribuir características pessoais a determinados grupos e pessoas — os estereótipos. Os estereótipos são uma forma simplificada de assimilar o mundo; por meio deles, organizamos e reduzimos a complexidade do nosso meio social.
Ao estereotipar uma pessoa ou grupo, ocorre uma rotulação dos mesmos. Em nossas relações interpessoais, atribuir rótulos aos outros facilita a interação, pois seríamos capazes de prever certos comportamentos de maneira antecipada. No entanto, esse ato de pressupor comportamentos pode ser perigoso. Por exemplo, ao rotular como violentas e criminosas as pessoas que vivem em determinado bairro, corre-se o risco de gerar preconceito contra o trabalhador que mora no local, que inevitavelmente será visto da mesma forma.
Além do preconceito, temos sua consequência direta: a discriminação. Sentimentos de hostilidade, quando unidos a crenças estereotipadas, culminam em comportamentos variados — desde tratamentos diferenciados e expressões verbais de desprezo até atos de violência. A discriminação pode levar a atitudes extremas. Poderíamos citar inúmeros casos ao longo da história e da atualidade, como o Holocausto contra os judeus na Segunda Guerra Mundial, os conflitos entre protestantes e católicos na Irlanda do Norte, os atos violentos de skinheads e, no Brasil, o caso de uma menina com 11 anos que foi apedrejada por praticar uma religião de matriz africana, em junho de 2015.
O preconceito aparenta estar tão entrelaçado nas redes das relações humanas que se torna difícil compreender suas origens. Suspeita-se estar intimamente enraizado na natureza humana. O que evidencia o quanto estamos ligados ao preconceito; ou seja, todos teríamos algum tipo de preconceito. Os sociobiólogos relacionam o preconceito a mecanismos de sobrevivência, associados à proteção do grupo. No entanto, psicólogos sociais acreditam que a aprendizagem tem grande responsabilidade nesse fenômeno.
Sendo o preconceito de origem biológica ou sociocultural, o fato é que ele existe em todas as sociedades, culturas e grupos étnicos ou religiosos. Justamente por essa abrangência, o preconceito precisa ser cada vez mais estudado e debatido nos meios acadêmicos e sociais.
Referências
RODRIGUES, A.; ASSMAR, E. M. L.; JABLONSKI, B. Psicologia Social. 32. ed. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2015.
*Bacharel em Psicologia pela Uninassau-JP, Pesquisador no grupo LIGEPSI (Literatura, Gênero e Psicanálise) da UFPB, Graduando em Fisioterapia e Educação física pela UniFatecie, Pós graduado em Projeto e Desenvolvimento de Jogos Digitais pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós graduado em Psicanálise, Docência e Pesquisa para Área da Saúde, Docência do Ensino Superior e Tutoria em Educação à Distância pela Faculdade Dynamus de Campinas, Técnico de Enfermagem pela Escola Técnica de Enfermagem Rosa Mística, Palestrante e Escritor.
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